Adoração: Um Convite Bíblico para Glorificar a Deus

         A adoração é um tema central nas Escrituras e na vida cristã, representando a resposta adequada do ser humano diante da majestade e santidade de Deus. Desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento, somos constantemente lembrados da importância de render glória a Deus e de reconhecer Sua soberania sobre toda a criação. Neste artigo, exploraremos o conceito bíblico de adoração e o que significa adorar a Deus em espírito e em verdade, de acordo com a revelação bíblica.

A Adoração como Resposta à Santidade de Deus

        No Salmo 29:2, somos exortados: "Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade." A adoração, segundo este versículo, não é apenas uma prática religiosa; é uma resposta à santidade de Deus. Reconhecemos a grandeza do Seu nome e a glória que Lhe é devida. O ato de adorar na "beleza da santidade" nos remete à pureza, reverência e devoção que devemos demonstrar ao nos aproximarmos de Deus.

Adoração como Humilhação e Reverência

        No Salmo 95:6, somos convidados: "Vinde, adoremos e prostremo-nos, ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou." A adoração bíblica envolve uma postura de humildade e reverência. Prostrar-se diante de Deus é um sinal de reconhecimento de Sua supremacia e de nossa total dependência d'Ele. Ajoelhar-se simboliza a entrega e submissão ao Criador, que nos formou e nos sustenta.

        A relação entre adoração e submissão é amplamente destacada nas Escrituras, especialmente em passagens como Filipenses 2:10-11, onde o apóstolo Paulo afirma que "ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai." O reconhecimento de Jesus como Senhor é o ponto culminante da adoração cristã, pois Ele é a revelação plena da glória de Deus.

O Chamado à Adoração Exclusiva

        No Antigo Testamento, Deus deixa claro que a adoração deve ser dirigida somente a Ele: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3). Este é o primeiro dos Dez Mandamentos e estabelece a base da adoração verdadeira — a adoração exclusiva ao único Deus verdadeiro. No contexto israelita, esta ordenança era um contraste direto com o politeísmo das nações vizinhas, mas seu princípio permanece relevante para os cristãos hoje. Deus é o único digno de adoração, e qualquer forma de idolatria é uma violação direta dessa ordem divina.

Adoração Coletiva e Comunitária

        Além da adoração pessoal e individual, a Bíblia também enfatiza a importância da adoração comunitária. O escritor de Hebreus exorta os crentes: "Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações" (Hebreus 10:25). A adoração não é um ato isolado; é uma prática que deve ser vivida em comunhão com outros crentes. A igreja primitiva compreendia isso profundamente, como podemos ver em Lucas 24:52, onde os discípulos adoravam a Jesus com grande alegria e juntos, após a Sua ascensão.

Adoração em Espírito e em Verdade

        Um dos ensinamentos mais profundos sobre adoração foi dado pelo próprio Jesus. No diálogo com a mulher samaritana, Ele revela que "os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são esses que o Pai procura para seus adoradores" (João 4:23-24). Jesus ensina que a adoração vai além dos rituais externos ou dos lugares físicos; ela deve fluir do coração e ser guiada pela verdade da Palavra de Deus. Adorar em espírito implica uma conexão genuína com Deus, através do Espírito Santo, enquanto adorar em verdade significa que nossa adoração deve estar fundamentada na revelação divina.

Adoração no Futuro Eterno

        A adoração também tem uma dimensão escatológica. Em Apocalipse 4:11, vemos uma visão celestial em que os anciãos prostram-se diante de Deus, dizendo: "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas." A adoração eterna será a ocupação de todos os redimidos na presença de Deus. Na nova criação, adoraremos ao Senhor plenamente, livres de toda mancha do pecado e em perfeita comunhão com Ele.

Conclusão

        A adoração, segundo as Escrituras, é muito mais do que cânticos e rituais; é a resposta do ser humano à revelação da majestade, santidade e amor de Deus. Ela envolve submissão, reverência, exclusividade e comunhão, e deve ser vivida em espírito e em verdade, tanto individualmente quanto em comunidade.

À medida que nos aproximamos de Deus em adoração, somos transformados por Sua presença, e nossas vidas tornam-se um reflexo da glória de Deus para o mundo. Que possamos, assim, viver uma vida de adoração genuína, reconhecendo sempre que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.


Os leitores são convidados a compartilhar suas próprias reflexões sobre o assunto.

Os Salmos Citados No Novo Testamento

 Introdução

Os Salmos são citados com frequência no Novo Testamento, e isso evidencia a importância central desse livro para os autores do Novo Testamento, que o interpretaram muitas vezes de uma forma messiânica. O fato de os Salmos serem citados cerca de oitenta vezes no Novo Testamento reforça como a teologia e as profecias do Antigo Testamento eram vistas como cumpridas em Jesus Cristo. Abaixo, citarei os Salmos foram usados e reinterpretados pelos autores do Novo Testamento, conectando-os com a pessoa e obra de Jesus.

Exemplos de Citações Messânicas dos Salmos no Novo Testamento

SalmosReferências do Novo Testamento

2.1,2Atos 4.25,26
2.7Atos 13.33; Heb. 1.5 e 5.5
4.4Efé. 4.26
5.9Rom. 3.13
8.3 LXXMat. 21.16
8.4-6 LXXHeb. 2.6-8
8.6I Cor. 15.27
10.7Rom. 3.14
14.1-3Rom. 3.10-12
16.8-11Atos 2.25-28
16.10Atos 2.31
16.10 LXXAtos 13.35
18.49Rom. 15.9
19.4Rom. 10.18
22.1Mat. 27.46; Mar. 15.34
22.18João 19.24
22.22Heb. 2.12
24.1I Cor. 10.26
31.5Luc. 23.46
32.1,2Rom. 4.7,8
34.12-16I Ped. 3.10-12
35.19João 15.25
36.1Rom. 3.18
40.6-8Heb. 10.5-7
41.9João 13.18
44.22Rom. 8.36
45.6,7Heb. 1.8,9
51.4Rom. 3.4
53.1-3Rom. 3.10-12
68.18Efé. 4.8
69.4João 15.25
69.9João 2.17; Rom. 15.3
69.22,23Rom. 11.9,10
69.25Atos 1.20
78.2Mat. 13.35
78.24João 6.31
82.6João 10.34
89.20Atos 13.22
91.11,12Mat. 4.6; Luc. 4.10,11
94.11I Cor. 3.20
95.7,8Heb. 3.15; 4.7
95.7-11Heb. 3.7-11
95.11Heb. 4.3; 5
102.25-27Heb. 1.10-12
104.4Heb. 1.7
109.8Atos 1.20
110.1Mat. 22.44; 26.64; Mar. 12.36; 14.62; Luc. 20.42,43; 22.69; Atos 2.34,35; Heb. 1.13
110.4Heb. 5.6,10; 7.17,21
112.9II Cor. 9.9
116.10II Cor. 4.13
117.1Rom. 15.11
118.6Heb. 13.6
118.22Luc. 20.17; Atos 4.11; I Ped. 2.7
118.22,23Mat. 21.42; Mar. 12.10,11
118.25,26Mat. 21.9; Mar. 11.9,10
118.26João 12.13; Mat. 23.39; Luc. 13.35; 19.38
132.11Atos 2.30
140.3Rom. 3.13

Significado das Citações Messiânicas dos Salmos

As múltiplas citações dos Salmos no Novo Testamento demonstram como os primeiros cristãos interpretaram o Antigo Testamento como um conjunto de escrituras que anunciavam a vinda e a obra redentora de Jesus. A partir de uma perspectiva cristã, muitos desses Salmos são vistos como profecias que apontam diretamente para Jesus como o Messias prometido, que cumpriu essas previsões de maneira literal ou tipológica.

Além disso, essas citações ajudaram os primeiros cristãos a estabelecer uma continuidade entre a fé judaica e a nova fé em Cristo. Ao aplicar textos dos Salmos a Jesus, eles estavam mostrando que a história de Israel, as promessas feitas a Davi e as profecias sobre o Messias estavam se cumprindo em Jesus de Nazaré.

Conclusão

Os Salmos desempenham um papel essencial na teologia do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito à interpretação messiânica dos textos. Como demonstrado pelas citações listadas, os Salmos não apenas forneceram conforto e inspiração, mas também foram vistos como profecias que encontraram cumprimento em Jesus Cristo, tanto em seu sofrimento quanto em sua exaltação.

PREDESTINAÇÃO À LUZ DE SALMO 139:16

 

Introdução

O Salmo 139:16 diz:

    "Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles ainda existia."

 

        Essa passagem é frequentemente associada à soberania de Deus e ao seu conhecimento total sobre a vida humana, até mesmo antes do nascimento. O texto afirma que Deus conhece todos os dias de uma pessoa, o que muitas vezes é entendido como uma referência à sua onisciência e providência.

 

Predestinação à luz de Salmo 139:16

        A ideia de predestinação geralmente está associada ao conceito de que Deus, de forma soberana, pré-determina todos os eventos, incluindo o destino eterno das pessoas (se vão ou não ser salvas). Esse é um tema central na teologia reformada, principalmente nas obras de Agostinho de Hipona e João Calvino. No entanto, o entendimento desse versículo em particular não é uniformemente aceito como uma referência direta à predestinação no sentido estrito de salvação ou condenação.

 

        No Salmo 139:16, o foco está mais no conhecimento de Deus sobre o curso da vida humana — desde a concepção até a morte — do que especificamente na predestinação eterna. O salmista reflete sobre o cuidado íntimo e detalhado de Deus, reconhecendo que todos os eventos e dias da vida de uma pessoa são conhecidos e registrados por Deus desde antes do nascimento.

 

Perspectiva teológica tradicional

        A maioria dos teólogos concorda que o Salmo 139:16 exalta a onisciência e a soberania de Deus. No entanto, há divergências sobre o que isso implica em termos de predestinação:

 

        Teólogos Reformados (Calvinistas): Eles podem interpretar esse versículo como evidência de que Deus pré-determina e conhece todos os eventos da vida de uma pessoa, incluindo seu destino eterno. Para os calvinistas, a predestinação faz parte do plano divino, no qual Deus escolhe alguns para a salvação antes da fundação do mundo, com base na sua vontade soberana.

 

        Teólogos Arminianos: Diferentemente dos calvinistas, os arminianos acreditam que Deus, embora conheça o futuro, permite que os seres humanos exerçam livre-arbítrio. Eles veriam o Salmo 139:16 mais como uma afirmação da onisciência de Deus — Ele conhece todos os dias, mas isso não significa necessariamente que Ele os determinou em termos de controle rígido, especialmente no que diz respeito à salvação ou condenação.

 

        Outras perspectivas cristãs: Algumas tradições cristãs, como o catolicismo e o ortodoxismo oriental, têm visões variadas sobre predestinação, mas muitas vezes enfatizam que, embora Deus conheça o futuro, Ele também concede liberdade ao ser humano para responder à graça divina.

 

A maioria dos teólogos

        A interpretação predominante entre teólogos é que o Salmo 139:16 está relacionado ao conhecimento absoluto de Deus sobre a vida e o tempo humano, mas não há consenso se este versículo especificamente ensina uma doutrina de predestinação no sentido calvinista. A maioria concorda que o versículo é uma expressão poética da onisciência e soberania de Deus, mas a questão da predestinação depende da tradição teológica particular à qual um indivíduo ou denominação pertence.

 

Conclusão

        Salmo 139:16 fala sobre o conhecimento detalhado de Deus em relação à vida humana, desde o início. Embora teólogos reformados possam ver uma conexão com a doutrina da predestinação, a maioria dos estudiosos cristãos entende que o versículo é uma afirmação mais geral sobre a onisciência divina, sem necessariamente implicar um destino fixo e determinado no sentido estrito da predestinação para salvação ou condenação. O debate sobre predestinação depende mais de como a teologia sistemática de cada tradição trata do tema do livre-arbítrio e da soberania divina.

ISAÍAS 52:13-53:12: Uma Das Mais Queridas E Importantes Passagens Do Antigo Testamento

Introdução


                A passagem de Isaías 52:13-53:12 é um dos textos mais profundos e queridos do Antigo Testamento, tanto para judeus quanto para cristãos. Estes versículos apresentam o "Servo Sofredor", uma figura que sofre vicariamente pelos pecados da humanidade, oferecendo-se como sacrifício por outros. A interpretação dessa passagem tem sido tema de debates ao longo da história, especialmente em relação à identidade do Servo.

A Interpretação Judaica e Cristã

        

            Tradicionalmente, a interpretação judaica deste texto entendia que ele se referia ao Messias, um libertador prometido por Deus. Isso também foi adotado pelos primeiros cristãos, que viam a figura do Servo Sofredor como uma prefiguração de Jesus Cristo. Por exemplo, em Atos 8:35, o evangelista Filipe usa essa passagem para explicar a identidade de Jesus ao eunuco etíope, mostrando que Jesus era o cumprimento dessas profecias messiânicas.

No entanto, no século XII, surgiu uma nova interpretação predominante no judaísmo. De acordo com essa visão, o Servo Sofredor seria uma representação simbólica da nação de Israel, que sofreu nas mãos de seus opressores ao longo da história. Essa perspectiva se tornou a dominante no judaísmo moderno. Contudo, essa interpretação enfrenta desafios dentro do próprio texto, especialmente em Isaías 53:8, onde o Servo é claramente distinguido do "meu povo", sugerindo que o Servo é uma figura separada e distinta da nação de Israel.

A Natureza do Servo Sofredor


Outro ponto que levanta questões sobre a identidade do Servo é o fato de que ele é descrito como uma "vítima inocente" em Isaías 53:9. A nação de Israel, ao longo de sua história, passou por períodos de rebelião contra Deus, de forma que não poderia ser descrita coletivamente como "inocente" no contexto dessa passagem. O Servo, por outro lado, é retratado como alguém que não cometeu violência nem teve engano em sua boca.

Estrutura da Passagem


A passagem de Isaías 52:13-53:12 é dividida em cinco partes, cada uma composta por três versículos:

Isaías 52:13-15 – Esta seção começa com uma nota de exaltação do Servo. Ele será "muito exaltado", mas sua aparência será "desfigurada" devido ao seu sofrimento. Isso provoca espanto e perplexidade entre as nações.

Isaías 53:1-3 – Aqui, o foco muda para a rejeição e o sofrimento do Servo. Ele é desprezado e rejeitado pelos homens, uma figura de dor e sofrimento que não é valorizada por aqueles ao seu redor.

Isaías 53:4-6 – Estes versículos são o coração da passagem e descrevem a natureza vicária do sofrimento do Servo. Ele carrega as dores e pecados de outros, sendo castigado em lugar deles. Sua morte traz cura e paz para aqueles que ele substitui.

Isaías 53:7-9 – O Servo, embora oprimido e afligido, permanece em silêncio, aceitando seu destino sem resistência. Ele é levado à morte como uma ovelha ao matadouro, sem proferir uma palavra de protesto.

Isaías 53:10-12 – Finalmente, esta seção descreve a justificação que resulta do sofrimento do Servo. Sua morte não é em vão; ele verá o fruto de sua obra, justificando a muitos e recebendo sua recompensa por ter oferecido sua vida.

Conclusão


Isaías 52:13-53:12 é uma passagem fundamental tanto no judaísmo quanto no cristianismo. Para os cristãos, ela oferece uma clara prefiguração de Jesus Cristo como o Servo Sofredor, que morreu pelos pecados da humanidade. Para os judeus, especialmente a partir do século XII, o texto passou a ser interpretado de maneira diferente, com o Servo representando a nação de Israel.

Independentemente da interpretação, esta passagem continua a inspirar e provocar reflexão, desafiando os leitores a considerarem o significado profundo do sofrimento, da redenção e do papel do "Servo" nas promessas de Deus.

INTRODUÇÃO DO LIVRO DE SEGUNDO ESCREVEU JOÃO

 INTRODUÇÃO:

O livro de João contém 21 capítulos, 879 versículos e aproximadamente 18.927 palavras na versão NTLH Ed. 200. Na versão ACF, são cerca de 17.562 palavras, na ARC são 17.424 palavras e na ARA são 17.981 palavras. O tempo médio de leitura na versão ARA é de cerca de 2 horas. O capítulo mais extenso é o 6, com 71 versículos, enquanto os capítulos 2 e 21 são os mais curtos, cada um com 25 versículos. Especificamente, o capítulo 2 é o menor em número de palavras, totalizando 460 na versão ARC.

AUTOR:

O autor do Evangelho de João é tradicionalmente considerado o apóstolo João, filho de Zebedeu. Este ponto de vista é apoiado por Irineu (c. 130-200 d.C.) e confirmado por Eusébio (265-339 d.C.). Embora os Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) frequentemente mencionem João, seu nome não aparece diretamente no Evangelho de João. Além deste Evangelho, João também escreveu três Epístolas e o livro do Apocalipse. Nascido em Betsaida e irmão de Tiago, algumas interpretações sugerem que João poderia ser mais jovem que os outros 11 discípulos. Conhecido inicialmente por seu temperamento vingativo, ambição e intolerância, João se tornou o apóstolo do amor, enfatizando a importância do amor cristão, especialmente em 1 João 4.7. Ele faleceu de causas naturais, vivendo até os 100 anos.

DATA E LOCAL:

O Evangelho de João provavelmente foi escrito por volta de 90 d.C., embora algumas fontes sugiram uma data anterior, em torno de 70 d.C. Não há consenso sobre o local exato de sua redação.

DESTINATÁRIO:

O Evangelho de João foi dirigido principalmente a cristãos não judeus e céticos influenciados pelas filosofias gregas da época, que negavam a verdadeira humanidade de Jesus, reconhecendo apenas Sua divindade. João expressa claramente seu propósito em 20.31: "para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus". Este evangelho visa corrigir visões distorcidas e a descrença, reafirmando a verdadeira identidade de Jesus Cristo.

ESTRUTURA:

O Livro de João está dividido em duas partes principais:

1.     Ministério Público de Jesus (Capítulos 1-12): Nesta seção, o livro destaca o ministério público de Jesus Cristo, abrangendo diversos ensinamentos, milagres e interações com o mundo ao Seu redor.

2.     Ensino aos Discípulos (Capítulos 12-21): A segunda parte se concentra no ensino específico de Jesus aos Seus discípulos, explorando ensinamentos mais diretos e momentos mais íntimos compartilhados com eles.

ABORDAGEM PECULIAR:

     Este é o Evangelho mais teológico entre os quatro. João descreve Cristo em cada capítulo como uma coleção de obras de arte que revelam diferentes aspectos de Seu caráter ou obra. No capítulo 1, Ele é o Filho de Deus (vv. 1-14); no capítulo 2, o Filho do Homem (vv. 1-10); no capítulo 3, o Mestre divino (vv. 2-21); no capítulo 4, o Ganhador de almas (vv. 7-29); no capítulo 5, o Médico dos médicos (v. 8,9); no capítulo 6, o Pão da vida (v. 48); no capítulo 7, a Água da vida (v. 37); no capítulo 8, o Defensor do fraco (vv. 3-11); no capítulo 9, a Luz do mundo (v. 5); no capítulo 10, o Bom Pastor (v. 11); no capítulo 11, o Príncipe da vida (v. 25); no capítulo 12, o Rei (vv. 12-15); no capítulo 13, o Servo (vv. 4,5); no capítulo 14, o Consolador (v. 1); no capítulo 15, a Videira verdadeira (v. 1); no capítulo 16, o Doador do Espírito (vv. 7-15); no capítulo 17, o Grande Intercessor (vv. 1-26); no capítulo 18, o Sofredor (v. 11); no capítulo 19, o Salvador crucificado (v. 18; 3.14); no capítulo 20, o Conquistador da morte (vv. 1-31); e no capítulo 21, o Restaurador do arrependido (vv. 15-17).

ESTATÍSTICAS:

No Evangelho de João, apenas sete eventos são mencionados nos outros Evangelhos: as palavras de João, a última ceia, a unção em Betânia, a paixão, a ressurreição, o milagre da alimentação dos 5.000 e o caminhar sobre a água. João apresenta material exclusivo que não está nos outros Evangelhos. Ele usa a expressão "quem Jesus amava" quatro vezes, faz 175 perguntas (os capítulos 15 e 17 não têm perguntas),[1] menciona 16 profecias do Antigo Testamento cumpridas,[2] 43 novas profecias, e contém 85 versículos com profecias cumpridas[3] e 7 versículos com profecias ainda não cumpridas. Há cerca de 14 referências ao Antigo Testamento[4] e a palavra "vida" aparece 36 vezes.[5]

OS “EU SOU” DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO:

Os "Eu Sou" de Jesus no Evangelho de João são afirmações poderosas sobre Sua natureza e missão. Ele se descreve como:

  • "O pão da vida" (João 6.35, 48, 51), oferecendo sustento espiritual.
  • "A luz do mundo" (João 8.12), trazendo clareza divina.
  • "A porta" (João 10.7, 9), o caminho para a comunhão com Deus.
  • "O bom pastor" (João 10.11, 14-15), expressando Seu cuidado amoroso.
  • "A ressurreição e a vida" (João 11.25), oferecendo esperança e vida eterna.
  • "O caminho, a verdade e a vida" (João 14.6), revelando a conexão verdadeira com Deus.
  • "A videira verdadeira" (João 15.1, 5), simbolizando a ligação espiritual com os crentes.

Essas declarações refletem a profunda compreensão de Jesus sobre Sua missão e divindade.

MILAGRES NO EVANGELHO DE JOÃO:

Os milagres de Jesus, conforme registrados no Evangelho de João, demonstram Seu poder e divindade:

1.     Transformação da água em vinho (João 2.1-11): Seu primeiro milagre, mostrando autoridade sobre a natureza.

2.     Cura do filho de um funcionário público (João 4.43-54): Cura à distância, destacando Seu poder sobre doenças.

3.     Cura de um paralítico (João 5.1-18): Cura de um homem paralisado há 38 anos, mostrando domínio sobre a saúde.

4.     Alimentação de uma multidão (João 6.1-15): Multiplicação dos pães e peixes, demonstrando capacidade de prover.

5.     Caminhada sobre a água (João 6.16-21): Andar sobre as águas, revelando controle sobre as forças naturais.

6.     Cura de um homem cego (João 9.1-41): Restauração da visão, evidenciando luz espiritual e física.

7.     Ressurreição de Lázaro (João 11.1-44): Ressurreição de Lázaro, manifestando poder sobre a morte.

Esses milagres são apresentados como sinais da identidade divina de Jesus, convidando as pessoas a crerem Nele (João 20.30-31).

TÍTULOS E DESIGNÇÕES DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO:

O Evangelho de João, destacando-se entre os outros Evangelhos, revela Jesus Cristo através de muitos nomes e títulos divinos. Nenhum outro Evangelho apresenta tantas designações para Jesus. Vamos explorar alguns desses títulos importantes:

1.     Verbo divino (João 1.1)

2.     Criador de todas as coisas (João 1.3)

3.     Luz verdadeira (João 1.9)

4.     Deus Unigênito (João 1.18)

5.     Cordeiro de Deus (João 1.29)

6.     Filho de Deus (João 1.34)

7.     Messias (João 1.41)

8.     Jesus de Nazaré (João 1.45)

9.     Rei de Israel (João 1.49)

10.                       Filho do Homem (João 1.51)

11.                       Transformador da água em vinho (João 2.1-12)

12.                       Purificador do templo (João 2.13-21)

13.                       Mestre divino (João 3.1-2)

14.                       Filho Unigênito de Deus (João 3.16, 18)

15.                       Fonte de água viva (João 4.14)

16.                       Salvador do mundo (João 4.42)

17.                       Juiz dos vivos e dos mortos (João 5.22-30)

18.                       Pão Vivo do céu (João 6.41)

19.                       Pão da vida (João 6.48)

20.                       Água viva (João 7.37-38)

21.                       Luz do mundo (João 8.12)

22.                       Libertador de Israel (João 8.31-36)

23.                       Restaurador da vista aos cegos (João 9.1-7)

24.                       Porta das ovelhas (João 10.7)

25.                       Bom Pastor (João 10.11)

26.                       Ressurreição e Vida (João 11.25)

27.                       Bendito Rei de Israel (João 12.13-14)

28.                       Servo lavando os pés dos discípulos (João 13.1-20)

29.                       Caminho, Verdade e Vida (João 14.6)

30.                       Videira verdadeira (João 15.1)

31.                       Vencedor do mundo (João 16.33)

32.                       Sumo Sacerdote intercessor (João 17.1-26)

33.                       Mestre traído e negado (João 18.1-27)

34.                       Salvador crucificado (João 19.1-37)

35.                       Salvador ressuscitado (João 20.1-17)

36.                       Senhor Deus (João 20.28)

37.                       Cristo (João 20.31)

38.                       Restaurador do discípulo arrependido (João 21.1-19)

Também se destaca entre os outros, fazendo nove afirmações da união de Cristo com o Pai.

1.     O Filho não pode fazer nada sozinho (João 5.17,19; 8.18).

2.     Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma (João 5.30).

3.     Eu não busco a minha vontade, mas sim a vontade do Pai (João 5.30; 6.38).

4.     Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou (João 7.16; 8.26,38).

5.     Nada faço por mim mesmo (João 8.28).

6.     Eu faço sempre o que lhe agrada (João 8.29).

7.     Eu vim de Deus, não de mim mesmo (João 8.42; 16.28).

8.     Eu não busco a minha glória (João 8.50,54).

9.     As palavras que lhes digo não as digo de mim mesmo, mas do Pai, que me mandou dizê-las (João 10.25,37,38; 14.10,11).

 



[1] Perguntas: cap. 1,19-22 (6 perguntas),25,38, (3 perguntas), 46,48,50; cap.2.4,18,20; cap.3.4 (2 perguntas),9,10,12: cap. 4.9,11,12, no verso 27(2), 29,33,35; cap. 5.6,12,44,47; cap. 6.5,9,25,verso 30(2),verso 42(2),52,60,61,62,67,68,70; cap. 7.11,15,18,19,20,23,26,31,verso 35(2),36,no versos 41-52(7); cap. 8.5,verso 10(2),19,22,25,33,43, verso 46(2),48; verso 53(2),57; cap. 9.2,8,10,12,16,17,verso 19(2),versos 26-27(4),34,35,36,40; cap. 10.20,21,24,32,34,36; cap. 11. 8,9,26,34,37,40,47,56; cap. 12.5,19,verso 27(2),verso 34(2),verso 37(2); cap. 13.6,12,25,36,37,38; cap. 14.5verso 9(2),10, 22; 16. cap. 16,17,18,19,31; cap. 18.4,6,11,17, versos 21-23(3), 29,33,34,verso 35(2),37,38,39; cap. 19. 9,10,12,15; cap. 20. 13, verso 15(2),29; cap. 21.5,12,15,16,verso 17(2), 20,21,22,23.

[2] João 1.23a "Eu sou a voz do que clama no deserto: ..." Is 40.3; João 2.17c, "...O zelo da tua casa me devorará". Sl 69.9; João 6.45a "Está escrito nos profetas: "E serão todos ensinados por Deus"..." Is 54.13; Jr 31.34; João 7.45 "Não diz a Escritura que o "Cristo vem da descendência de Davi e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Is 11.1,10; Jr 23.5; Mq 5.1,2; João 12.13 "Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor! ..." Sl 118.25,26; João 12.15 "Não temas, ó filha de Sião! Eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta". Zc 9.9; João 12.38 "para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: "Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?" Is 53.1; João 12.40 "Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração,..." Is 51.1; João 13.18b "... para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar". Sl 41.9; João 15.35c ".... Aborreceram-me sem causa". Sl 35.19; 69.4; cf. Sl 109.3; 119.161; João 17.12 conf. Sl 41.9; 69.25-29; 109.8; Atos 1.20-25; João 19.24a conf. Sl 22.18; João 19.28a conf. Sl 69.21; João 19.36-37 conf. Êxodo 12.46; Números 9.12; Sl 34.20, verso 37 conf.Sl22 .16 ; Zc12 .10 ; cf.Ap1 .7 ; Jo20 .9a conf.Sl16 .10 ,11.

[3] Profecia cumprida – João 1.29,50-51; 2.19. Veja o versículo 22 e Mateus 28.6,7,9; 1 Coríntios 15.3,4; João 3.14 confirma Números 21.9; João 8.28; 12.32,34; 1 Pedro 2.24). João 3.30; João 4.21a, 50; João 5.20b,25a, não cumprida 28,43a; sendo cumprida João 6.35a,37a,39a,44, e será completamente cumprida na ressurreição dos justos, 1 Tessalonicenses 4.16; 1 Coríntios 15.23.51-58; cumprida e sendo cumprida João 6.50, o verso 53, e será completamente cumprida na ressurreição dos justos, João 6.62a; João 7.33a,37b; João 8.21a; João 10.14a; João 11.49b; João 12.23.

[4] João 1.23 (João), Isaías 40.3. João 2.17 (Jesus), Salmo 69.9. João 6.31 (Judeus), Salmo 78.24-25. João 6.45 (Jesus), Isaías 54.13. João 10.34 (Jesus), Salmo 82.6. João 12.13 (Povo Judeus) Salmo 118.25-26. João 12.15 (Jesus), Zacarias 9.9. João 12.38 (João), Isaías 53.1. João 12.40 (Jesus), Isaías 6.9-10. João 13.18 (Jesus), Salmo 41.9. João 15.25 (João), Salmos 35.19. João 19.24 (Marcos), Salmo 22.18. João 19.36 (João). Êxodo 12.46; Números 9.12; Salmos 34.20. João 19.37 (João), Zacarias 12.10.

[5] Jo 1.4 Jo 3.15 Jo 3.16 Jo 3.36 Jo 4.14 Jo 4.36 Jo 5.24 Jo 5.26 Jo 5.29 Jo 5.39 Jo 5.40 Jo 6.27 Jo 6.33 Jo 6.35 Jo 6.40 Jo 6.47 Jo 6.48 Jo 6.51 Jo 6.53 Jo 6.54 Jo 6.63 Jo 6.68 Jo 8.12 Jo 10.10 Jo 10.11 Jo 10.15 Jo 10.17 Jo 10.28 Jo 11.25 Jo 12.25 Jo 12.50 Jo 13.37 Jo 13.38 Jo 14.6 Jo 15.13 Jo 17.2 Jo 17.3 Jo 20.31